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Arquivos: outubro de 2003
sexta-feira, 31 de outubro de 2003
SubsTanz - Sábado, 1 Novembro, 21:30, Teatro S. João - Palmela

Coreografia: Ana Sendas
Cenografia: Ana Sendas e Noé Sendas
Música e Vídeo: Ricardo Sousa
um segundo chega
ontem fui de encontro ao teu sorriso, e não me avisaste que ia ser assim, aquele sorriso, o teu, o nosso.
ontem fui de encontro aos teus olhos e é disso que me lembro, dos olhos que olham para mim, como se eu não estivesse alí perto de ti, como se olhasses através de mim. como se não existisse.
ontem fui de encontro ao teu corpo, e não pedi desculpa. a minha mão na tua mão, quando disseste adeus, quando a minha mão ficou mais um segundo, na tua.
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quarta-feira, 29 de outubro de 2003
O salto
Hoje quando cheguei à escola dei um salto mortal para não parar no sinal vermelho para os peões. Aquele pedacinho de vermelho, no boneco que afinal somos nós, é um pedacinho que detesto particualrmente, e que parece que grita coisas como: NÃO DÊS NEM MAIS UM PASSO, ou então: QUIETO. E eu nunca gostei de que me dessem ordens, como a um cão. Por isso a estratégia do salto mortal foi eficaz e fez com que ficassem todos a olhar. E só tive que correr dois metros para dar o impulso, o que é sinal que estou a melhorar. E desta vez não fui cair em cima de nenhuma poça, que estava ali à espera como da outra vez.
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terça-feira, 28 de outubro de 2003
HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
de Alexandre O'Neill
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segunda-feira, 27 de outubro de 2003
serenata à chuva
A chuva continua, não me importo. Ontem fui tomar café à noite (ali ao centro comercial) e quando lá cheguei estava completamente encharcado. Mas não faz mal. De qualquer maneira, é sempre giro ver a varanda cheia de granizo. E pegar num bocadinho para ver se é verdade. E era mesmo!
Ontem senti-me em baixo e triste. Com vontade de desaparecer assim para um sitio longe (podia ser a Islandia). Hoje acordei da mesma maneira, acordei tarde (uma pessoa sente-se sempre melhor na cama...). Mas depois tomei um banho quente... e as coisas começaram a recompor-se... fiquei ligeiramente mais bem disposto, e até com vontade de ir para a escola. Trabalhei um bocadinho e pronto. As coisas começam a compor-se.
Entretanto oiço The Decemberists (que me fizeram lembrar, assim de repente, os They Might Be Giants, só que usam acordeão!!)

e The Dears. Grupos de que nunca tinha ouvido falar... Engraçado, posso dizer, depois de uma primeira audição.

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sábado, 25 de outubro de 2003
Matem o Bill
Ontem fui ver o Kill Bill, como aliás já devem ter reparado. Acho que foi dos melhores filmes que vi ultimamente, é simplesmente fabuloso. é brilhante como Tarantino consegue prender o espectador do ínicio ao fim, como não segue o típico início - meio - fim que se vê na maior parte dos argumentos. Deadly Viper Assassination Squad, California Mountain Snake, Cottonmouth, Copperhead são só alguns dos nomes dos maus. E depois temos Uma Thurman - Black Mamba, que se vai vingar de tudo e todos. O filme mistura de forma fabulosa diferentes géneros: filme de samurais, king-fu e western spagetti!
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sexta-feira, 24 de outubro de 2003
cheguei e tropecei em ti
procuro palavras que digam o que sinto à flor da pele, mas não há. ou então não as conheço. oiço goldie, há muito que não o fazia. mother. uma música com mais de uma hora, da para me perder nela. é sempre a mesma coisa, perder-me, encontrar-me, anda sempre tudo à volta do mesmo. tenho as mãos frias. e o nariz e as orelhas. o coração não, está quente. cheguei e tropecei em ti, numa palavra que me disseste um dia, nem interessa qual, tropeçava em qualquer uma.
frio
As minhas preces foram ouvidas. Hoje está um dia mesmo frio. E desta vez a senhora da papelaria foi simpática e guardou-me o Tintim que eu tinha pedido para guardar. Nem foi preciso fazer cara de mau nem nada. E entretanto parece que os Lamb têm disco novo - Between Darkness and Wonder. Espero que seja melhor que o outro, acho que vou ouvi-lo só para tirar as dúvidas.

A minha vertente consumista hoje disse-me ao ouvido, assim muito baixinho, mas eu ouvi!! - Faz um esforço e compra a coleção de DVDs do Espaço 1999 !!! (ou então pede para te oferecerem). Quando era pequeno via todos os episódios, semana a semana, acho que ao fim de semana, acho que até alguns com o meu pai. Lembras-te?

Faz outro esforço ainda maior, e arranja a colecção de DVDs do Indiana Jones. (ou então pede para te oferecerem). Estes são os melhores filmes de aventuras jamais feitos, sempre.
Kill Bill - Part 1
Estreia hoje o último filme de Quentin Tarantino - Kill Bill - Part 1. Quero muito ver, talvez amanhã, sessão da meia noite? Vermos.

a mão...
Porque é que a partir das dez e meia da noite começo a sentir-me como se me apertassem o nariz e a garganta, como se não quisessem que respirasse? Começo a ficar enervado com isto, começo a sentir que não consigo controlar. E não consigo, de facto. Agora. Mas isto não fica assim, porque me vais estender a mão. E eu vou ficar à espera.
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quinta-feira, 23 de outubro de 2003
foste tu ?
Parece que o frio chegou. Finalmente. Sabe bem, mas ainda quero mais. Gelo, chuva, vento, tempestade, ficar em casa numa noite de catástrofe, acordar no outro dia e sentir o cheiro da terra molhada, ir ao café enrolado em camisolas e casacos e pedir um café bem quente, mas antes passar pela papelaria e perguntar à senhora antipática se não se esqueceu de guardar o Underground, ter que ouvir a resposta, ter que ouvir um não (é sempre tão chato quando nos dizem não), ter que saltar para não levar com a água que um carro atira para cima de mim quando passa numa rua de três metros a 100 à hora, gritar palavrões para me sentir melhor (ainda que molhado), ir a correr até casa porque ouvi o carteiro e quero saber quem me escreveu, se foste tu.

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quarta-feira, 22 de outubro de 2003
sleepy
A noite de ontem implica necessariamente algo de diferente no dia de hoje. A diferença é eu estar com sono, e com um bocadinho de dor de cabeça. E meio estranho, mal disposto. Preciso de mais umas cinco horas de sono. Alguém tem ? :)
Insónias
Já que são quase três e meia da manhã - e agora que isto está a funcionar em pleno - posso sempre escrever quatro ou cinco linhas sobre ... insónias, que é o que eu ultimamente tenho tido. Ontem não dormi quase nada, umas quatro horas se tanto. Hoje parece-me que vai pelo mesmo caminho. Não tenho sono. Estou cansado, mas não tenho sono, o que é estranho. E depois durante o dia ando assim para o zonzo, e com olheiras. E tonturas, mas agora menos. As tonturas sempre podia ser um pretexto para dar umas cabeçadas em alguém que as merecesse.... hmm vou pensar nisso.
Finalmente
Parece que finalmente consegui que isto funcionasse, depois de uma mudança de servidor atribulada. Isto porque ando à volta do blog desde as 23.30... enfim... espero que as coisas fiquem mais calmas, e que o blog voltar à normalidade...
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quarta-feira, 15 de outubro de 2003
Noé Sendas Vence Prémio de Escultura City Desk
Noé Sendas, 31 anos, é o vencedor da terceira edição do Prémio de Escultura City Desk. O anúncio foi feito ontem, ao fim da tarde, no Centro Cultural de Cascais (CCC), onde as obras dos 29 candidatos estarão em exposição até ao próximo dia 24.
Com a atribuição anual, numa única distinção, de 17.500 euros, o City Desk (que prevê a doação da peç;a vencedora à organização) é o mais alto prémio de escultura em Portugal. A sua identidade, contudo, não está ainda totalmente estabelecida.
A sua primeira edição (2000, quando se fizeram convites directos à participação e venceu Susanne Themlitz) foi um ano de excepção. A partir de 2001, qualquer artista com menos de 40 anos passou a poder candidatar-se, sendo a selecção final feita após a avaliação de currículos e portfólios por um júri constituído por um representante da empresa patrocinadora (a Solbi - Sociedade Lusobritânica de Informática), um da Fundação D. Luís (gestora do CCC) e um escultor convidado entre as duas entidades. Foi o modelo seguido este ano (com João Duarte como escultor convidado); os 29 finalistas foram escolhidos de um total de 80 candidaturas.
Alguns nomes são reincidentes em relação à edição do ano passado - incluindo o então vencedor, Matthias Contzen, e Sara Matos, que recebeu uma menção honrosa este ano repetida. Mas nenhum dos participantes tem um percurso com a solidez ou o reconhecimento do de Noé Sendas.
A selecção é uma mistura de projectos estéticos muito distintos. Uns de cariz mais convencional - tanto na escolha de materiais como na abordagem deles -, outros denunciando a tentativa de práticas mais individualizadas da escultura. Mas, entre a incipiência (ainda) de algumas propostas e o manifesto decorativismo de outras, é frequente a incapacidade de descolagem do trabalho de nomes-referência da escultura. Donde se suponha que um artista como Noé Sendas, com um universo autoral definido, estivesse, à partida, em vantagem.
"The Rest Is Silence" (título retirado da frase que Hamlet diz antes de morrer), a peça que apresentou à avaliação, dá continuidade a uma linha de trabalhos que nos últimos anos se tem tornado sobejamente conhecida, espaços escultóricos povoados por bonecos-homens de impacto hiper-realista - os vocábulos com que o escultor tem vindo a compor o seu léxico.
Criando, neste caso, numa pequena sala individual uma zona negra cujos limites são anulados pela escuridão, Sendas propõe-nos o confronto com dois corpos sentados, costas com costas, contra dois espelhos. Circular à sua volta atira-nos para a vertigem de as ver fundirem-se numa só através dos seus reflexos especulares. é estarrecedora a densidade de um silêncio que parece cheio de palavras e uma imobilidade de reflexão profunda que vemos cheia de movimento.
Sendas partiu de uma reflexão sobre a relação de duas fíguras da literatura que lhe são próximas em termos de imaginários: "Becket era viciado em silêncios, e Joyce também; mantinham conversas que consistiam muitas vezes em silêncios dirigidos um ao outro, ambos cheios de tristeza, a de Becket mais pelo mundo, a de Joyce mais por si mesmo", explica o artista.
Por VANESSA RATO
Público

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terça-feira, 14 de outubro de 2003

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domingo, 12 de outubro de 2003

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sexta-feira, 10 de outubro de 2003
Encontros de Música Experimental 2003


Bairro Alto

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terça-feira, 7 de outubro de 2003
Tu és o porto da minha Lisboa
Tu és o porto da minha Lisboa,
tu és a minha única coisa boa.
Tu és quem rasga a minha pele
no banco de trás do Opel.
Por sorte eras terceiridófilo
e em cada ânsia conseguida
chamavas-me asfódelo, dafodilo,
enquanto corrias a veia crescida.
Mas depois de vezes três
disseste adeus e era uma vez
um velho coxo das duas pernas
a expiar as penas eternas.
Chamarei alguém pela internet?
Perderei de propósito o terceiro set?
Não, viverei sozinho coisas novas
e sozinho inventarei as minhas provas.
Dub Version
Tu és a erva da minha Amsterdão,
tu és quem vem comer à minha mão.
Por ti fingi que era gigolô
no banco de trás do Peugeot.
Eu era jovem, via-se pelos dentes.
Tu tinhas o olhar macio das serpentes.
E se eras flor eras sem nome nenhum,
flor que dizia nomes e não acertava nenhum.
Ousarei dançar a música que tirei do mp3?
Algo em mim vai fingir que era uma vez.
A canção da idade, em edição especial?
O pato de vidro, o cisne de natal?
Chamarei alguém pela internet,
só se não puder não te ganho o terceiro set.
Eu amo este corpo que nunca mais verei
e qual o nome disto nunca saberei.
Helder Moura Pereira (inédito)
O nosso problema cresce
O nosso problema cresce
como uma bola de neve
dessas que imagina
quem nunca viu a neve.
Atados assim na indecisão
pode ser que isso seja
a face de um destino
e de um afecto, um perdão
suave e humano, como só
nós somos capazes.
Mas o lírico poema, já cansado
de ser escrito e de ser lido,
já não é senão o frouxo som
de uma vergonha, um canto
cujo eco não corta violências.
Entre os nossos problemas
e os problemas do mundo
o abismo é grande mas tudo
nos parece ligeiramente melhor
se contentes nos deitámos a amar.
Fui um corpo a que deram
uma recompensa por ter sabido resistir.
Mas a quê? O corpo não fez
nada, só não lhe aconteceu nada.
Helder Moura Pereira (inédito)
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segunda-feira, 6 de outubro de 2003
PÉROLAS DA TRADUÇíO ELECTRÓNICA
Um dos poetas os mais importantes do 20º século, PESSOA de FERNANDO foi carregado em Lisboa junho em 16, 1888. Era o filho de um empregado civil e de um crítico de música, que morresse quando o poeta tinha cinco anos velho. Com sua matriz, viveu em Durban, África do Sul.
(...)
Para trás a Lisboa começou nunca realmente na universidade como o tradutor e o escritor comercial.
(..)
No começo dos 1920s Fernando Pessoa criou uma casa publicando, Olisipo, e alguns escritores portuguese modernos transformaram-se seus autores.
(...)
De 1914 sobre animated certamente um punhado de carácteres literários, de uns heteronyms chamados mais atrasados, de cada deles com seu próprio estilo poético, do ideology e da biografia.
(...)
... Campos conceded que seu 'mestre' est outro heteronyms, Alberto Caeiro, um frágil e um tanto whitmanesque criatura que viv campo e escrev muito bem, claramente, para baixo-í -terra poesia.
http:babelfish.altavista.com/cgi-bin/translate?
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sexta-feira, 3 de outubro de 2003
Uma ida ao hospital, scones e um cházinho, e parabens mana!
São duas e tal da manhã, mais ou menos. Oiço o Cabaret da Coxa e uma banda de garagem com um bocadinho de interesse (o som até nem é mau, é mais ou menos parecido com o sabor do ultimo scone que comi - com doce). Mas vamos ao que interessa, que é isto: fui no outro dia ao hospital, um privado aqui da cidade, e trataram-me bem, exames para aqui e para alí, nada a ver com o público. Levei com soro nas veias (depois de se terem enganado ao enfiar a agulha) não sei bem para quê. (não disse que não, soro faz sempre bem). Isto tudo por causa das tonturas com que tenho andado, e que me faz dar duas piruetas quando me levanto da cama de manhã (mesmo não sabendo como) e outras duas quando me deito na cama (à noite, já daqui a pouco). Entretanto, faz-se pouco, pensa-se muito sobre quase nada (um pedacinho de qualquer coisa que fica aqui a matutar na cabeça).
E para arrefecer os animos, hoje lá para a uma e tal da manhã liguei o forno. E pus-me a fazer scones, que depois comi com manteiga e doce de morango. A verdade é que sinto-me melhor, ora bem. Não há quem gaste rios de dinheiro a comprar coisas que não servem para nada? Eu fiz scones e pronto. Ainda por cima estava bons. A acompanhar, chá calmante (de camomila). Estava tudo muito bom.
E agora para acabar este post em grande... PARABéNS maninha! Sim, porque ela entrou numa audição para um projecto de dança (contemporânea) na Dinamarca. Mais informações para breve, para ficar tudo bem informado.
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