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Arquivos: janeiro de 2004
sexta-feira, 30 de janeiro de 2004
Primavera
Dia péssimo, dia de gastar dinheiro (imenso) por causa do carro (que bom). Pelo menos já está. Ontem o dia foi cansativo, não parei um minuto desde as oito e tal da manhã até às oito e tal da noite. Banho quente, jantar, filme, cama. E hoje começa tudo outra vez, até às onze e tal. (entretanto vejo o sol espreitar por entre as janelas da sala, quero a Primavera!!)
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2004
cama
Isto de acordar cedo tem que se lhe diga. Não percebo as vantagens! Dorme-se pouco, não há sol, há muito frio, faz com que comece a doer a cabeça, e, além disso, só apetece voltar para a cama...
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2004
aprendi...
Será que se aprende com os erros ? Dizem que sim, mas fiquei com as minhas dúvidas quando fiz os mesmos disparates várias vezes. Talvez se aprenda com a derradeira asneira, ou com algo que tenhamos dito... este ano acho que aprendi muito. Aprendi a pensar mais nos outros, e não só em mim. Aprendi que tenho que seguir o meu coração, acima de tudo. Aprendi que só se vive quando se partilha, e que só se é verdadeiramente feliz quando damos sem querer nada em troca. Aprendi isso, aprendi a ser uma pessoa melhor.
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terça-feira, 27 de janeiro de 2004
party time
Dia de chuva, cinzento, frio. Hoje acordei cedo, lá para as oito e tal, para finalmente ter o carro arranjado. O que vai acontecer lá para quinta-feira, a troco de algumas dezenas de euros, claro.

O fim de semana foi engraçado, particularmente a noite de sábado. Não saía em Setúbal há já algum tempo, mas antes disso houve mini-jantar aqui em casa, com sessão de filme incluida. (The Ring). Mas a noite propriamente dita foi passada no Marr e ADN, com muita música e dança incluida (mas pouco alcool).

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sábado, 24 de janeiro de 2004
Mobloging
Primeira tentativa de um post pelo telemovel...
*
eu quero ver-te alegre. há algo atraente em gente triste. mas há algo definitivamente emocionante em gente alegre
bruno
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2004
de repente
não quero estar aqui, não quero sofrer, não quero chorar, não quero estar cansado, não quero estar triste, não quero pensar em ti, não quero gostar de ti, quero desaparecer, fugir, morrer. completamente.
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terça-feira, 20 de janeiro de 2004
palavras...
acordar, pensar, sair, café, eu, tu, olhos, lábios, tu, azul, eu, nós, saudade, chorar, pensar, deitar, dormir, encostar, acordar, sorrir, nós, tu, eu, amarelo, praia, mar, neve, frio, muito, saudade, música, sentir, arrepio, festa, beijo, chorar, olhar, manta, falar, ouvir, andar, brincar, olhos, lábios, tu, abraçar, enrolar, eu, tu, chorar, amar, pensar, almoçar, cinema, concerto, lábios, céu, neve, saudade, chorar, praia, encostar, sentir, arrepiar, brincar, amar
godspeed you! black emperor

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domingo, 18 de janeiro de 2004
you're all to me
olho para ti e vejo os teus olhos e para lá deles. olho para ti e não consigo parar de chorar, e não sei bem porquê, se de alegria, se de tristeza. talvez de surpresa? olho para ti e só quero estar contigo, quero contar-te histórias e dizer-te que está tudo bem. quero poder olhar o céu contigo, reparar no infinito, apanhar frio, escorregar na palavra amor e cair nos teus braços, dizer-te que está tudo bem, e que sou feliz. quero poder dizer-te o que sinto ao ouvido, dizer-te como o meu coração bate depressa, e porquê. quero sentir-te e ouvir os teus problemas. quero perder-me no teu corpo, e encontrar-me, e encontrar-te, quero nadar até ao infinito contigo e entregar-te o meu coração nas tuas mãos, dizer-te que és tudo, e que eu, sem ti, não sou nada.

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2004
Wild is the wind
Love me, love me
Say you do
Let me fly away
With you
We're creatures of the wind
Wild is the wind
Give me more than one grasp
To satisfy this hungryness
We're creatures of the wind
Wild is the wind
You touch me
I hear the sound of mandolines
You kiss me
With your kiss my life begins
Like a leaf clings to a tree
Baby please cling to me
We're creatures of the wind
Wild is the wind
You touch me
I hear the sound of mandolins
And you kiss me
With your kiss my life begins
Love me, love me
Say you do
Let me fly away
With you
Cat Power
go go go go go
Cada vez que oiço o novo disco dos Air, Talkie Walkie, penso sempre que poderá ser um dos melhores discos deste ano. É lindo, arrepia-me, e provoca uma sensação de calma que me sabe bem. A perfeição neste disco quase que existe. Pus-me a ouvir o cd outra vez (já não o ouvia há mais de duas semanas) a pretexto do artigo que vem no suplemento do Y. É um bom disco para ouvir num dia de sol, como o de hoje.
Apetecia-me ir ver o filme Choses secrètes, de Jean-Claude Brisseau, que está no King.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2004
chove lá fora
hoje consegui descansar e dormir, finalmente. mas não sonhei enquanto dormia. tenho sonhado acordado, desde sempre, desde há muito tempo, desde o tempo em que comecei a chorar.
agora, chove lá fora, muito. o aquecimento está ligado, estou confortável, pouca luz na sala. oiço o barulho do aquecimento, o barulho que a água faz contra os vidros, as notícias que chegam pela televisão, o bater do meu coração, do teu coração.
Please
It's two in the morning
And I'm calling your name
Your voice on the line is
So far away
And my heart reaches out there
And finds you gone
You walk a path lonely
But you're never alone
And I'm begging you please
Please
Let me in
Please
Please
Let me in
I know there are times when
In ashes you lie
Each one has a shadow
We can't deny
But there in your darkness
Living your pain
Wanna wrap you in love, babe
Again and again
I'm begging you please
Please
Let me in
Please
Please
Let me in
Listen my tiney one
Gonna make it on your own
Look at what we have done to heal
Please
Please
Let me in
Please
Please
Let me in
I'm begging you
I'm begging you
I'm begging you
Please
Please
Please

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2004
perto de ti
ando meio cansado e sem conseguir dormir, os olhos querem fechar-se, o corpo quer descansar, mas não consigo, não consigo adormecer, não consigo mas preciso. sinto-me como se tivesse corrido dez quilómetros, sinto-me a pairar, sinto-me perto de tudo (e de ti).
o meu coração
desci as escadas do prédio, degrau a degrau (às vezes dois logo de seguida) até encontrar a porta, de saída. antes, abri a caixa do correio para ver além da publicidade (mas não consegui). continuei passo atrás de passo até ao café da esquina (onde pedi um). paguei e agradeci, e fui em direcção contrária ao meu prédio (para a esquerda, portanto). avancei uns quantos metros, não sei exactamente quantos. tirei fotocópias do meu coração para te dar (a cores). paguei, e saí. passeei sem norte durante dois minutos e trinta e quatro segundos (exactamente) até que descobri a rua da minha casa, para onde fui (a correr), subi os degraus (dois a dois) e entreguei-te uma folha (dentro de um envelope) com o meu coração.
o que há para lá das nuvens?

(o que todos procuramos)
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terça-feira, 13 de janeiro de 2004
acordar e...
acordar, ou qualquer coisa parecida (a noite não foi famosa). o dia está frio, mas não me importo. bebo o café lentamente como se fosse o último. o sabor torna-se diferente. vou aos correios, fico à espera seis minutos e poucos segundos, bom dia, adeus. sinto-me cansado, oiço o aspirador, o cão, o respirar, vou-me embora.
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domingo, 11 de janeiro de 2004
(passeio)
fim de semana, que foi curto, é sempre curto quando se faz muita coisa. sábado em lisboa (contigo), ver um filme mediano, com uma actriz de que não gosto muito, estar (contigo) e rir-me das (tuas) cocegas. tirar fotografias ao céu, andar pelas compras na baixa, olhar-te e sorrir.
hoje. acordar tarde (o que é bom). tomar café e ouvir alguém falar com paixão sobre o que faz (música). passeio pela arrábida, tirar fotografias (muitas). ir comer uma torta de azeitão e beber um chá, quente, o que só sabe bem (porque entretanto o frio apareceu).


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sábado, 10 de janeiro de 2004
Parabéns

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2004
O Último Poema
sonhei tanto contigo
caminhei tanto contigo, falei tanto,
amei tanto a tua sombra
que já não me resta nada de ti.
só me resta ser uma sombra entre sombras,
ser cem vezes mais sombra que a sombra,
ser a sombra que virá e voltará a vir
na tua vida ensolarada
Robert Desnos
a luz de uma noite sem lua
mais uma noite dormida entre sobressaltos, entre imagens (tuas) e entre os (meus) olhos abertos para o escuro que parecia mais escuro que uma noite sem estrelas, e eu até gosto (nunca me dei bem com a luz). lá fora a água cai de cima (dizem que chove) mas eu só reparo quando os meus olhos se misturam com os teus, e já nem consigo distinguir uma lágrima (das tuas).
piscar de olhos
uma e pouco da manhã, o tempo passa depressa e daí talvez nem tanto. hoje não fiz nada, ou quase. amanhã vai ser o oposto. e vou chegar tarde a casa, mas posso dormir até tarde. acho que ainda é o que me salva, o não ter que acordar cedo. poder ir comprar o Público + Y e tomar um café. para não ser diferente de todas as sextas-feiras, e talvez amanhã não chova, e talvez amanhã consiga ver um bocadinho de azul, quando não estiver a olhar para o chão, entre um suspiro e um piscar de olhos.
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2004
está frio lá fora
está escuro, está frio e chuva, sinto-me estranho, doi-me a cabeça, não consigo dormir, acordo com sono, olho lá para fora e já não vejo o sol, mesmo quando o céu está limpo, sinto o que não devia sentir e não consigo fazer com que isto páre, mesmo quando eu decido precisamente isso, que tudo tem que parar e acabar, como se pudesse simplesmente desligar e passar à frente. eu quero, eu posso, mas eu não consigo, e dirme-ás que só depende de mim e eu já não sei o que dizer porque nada faz sentido, nem em mim, nem em ti, nem em ninguém, parece que o significado das coisas desaparece dia a dia, eu queria que fosse assim, mas não é, nada desaparece, e eu queria, juro que queria, mas não consigo, e olho lá pára fora, vejo a chuva, sinto o frio, não vejo o sol, vejo uma miragem, começo a falar sozinho, começo a sentir algo que não existe, começo a pensar coisas que não devia, e já devia ter aprendido, mas parece que não. não consigo, e não consigo parar de escrever, nem de parar de dizer disparates, ou de os pensar, ou de te os dizer, mas eu já nem te digo nada, digo-te que tenho as compras à espera, que a manteiga está a derreter, que as laranjas continuam da mesma cor, que quero cada vez mais o escuro e cada vez menos a luz, que a rotina se repete todos os dias, escola, café, casa, comprar o pão, comprar o jornal, lêr o tintim, chorar em casa, ver um filme, fechar as janelas, ficar escuro, muito, acender duas velas, queimar incenso, ouvir sigur rós até não poder mais, ouvir e continuar a ouvir, acender a televisão para não ver nada, pensar no fim de semana, pensar na outra semana, pensar que vai ser tudo igual, pensar que só falta uma coisa na vida para que ela se possa chamar assim, pensar que mais vale não pensar, pensar que acabou.
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2004
Grande filme, a ver por todos os alunos de todas as escolas.

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2004
o azul do céu faz-te chorar?
Acabei de receber a caixa dos Talking Heads, Once In a Lifetime. O giro disto é que a caixa de cartão é cerca de quatro vezes maior do que o conteúdo. De qualquer maneira, comecei por ver o DVD com os vídeos (todos!). Todos excelentes, todos a fazerem lembrar-me muito do passado. Quase que conheço as letras de cor, e já lá vai tanto tempo. Às vezes olho para trás e parece que anda tudo muito depressa. Ainda no outro dia estava a ouvir o Psycho Killer pela primeira vez, e hoje quase que é um clássico.
Tenho as mãos frias. Dormi mal. Lá fora o sol continua a brilhar (há coisas que nunca mudam, mesmo quando os nossos problemas pequeninos parecem tão grandes, mesmo quando as nossas lágrimas parecem ser capaz de encher um oceano, mesmo quando aquilo que sentimos parece não ser algo deste mundo - se calhar não é, se calhar a 'verdade' - aquilo que todos procuramos - é mesmo isto).
Podiamo-nos contentar com as coisas pequenas como tantas vezes nos mostram os filmes. Eu queria ser assim, como uma personagem de uma qualquer história - um romance não era mal pensado, dos que acabam bem. Mas vemos isto muitas vezes em filmes - alguém que se comove com uma flor, com uma brisa que vem lá de cima, com o azul do céu. E depois, depois também queremos, sentir o mesmo, sentir que somos especiais, que não somos 'como os outros'. Mas somos. Andamos todos à procura do mesmo, e acabamos todos por chorar pelas mesmas razões: pela morte, pelo amor não correspondido, pela solidão.
Six Feet Under, hoje às 22:00 no Canal 2:


A não perder (por favor??)
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domingo, 4 de janeiro de 2004
working day
Será que o frio veio para ficar ? Pelo menos durante mais uns tempos, parece que sim. Hoje está mais do que ontem e do que o dia anterior. Lá fora, pelo menos a temperatura está baixa, e nos meus pés, e na mão direita. Mesmo com o aquecimento ligado. Mas até que não se está muito mal por aqui. Fiquei o dia todo a trabalhar, aqui sentado em frente ao computador. E é por isso que estou um bocadinho farto, e com fome, e com vontade de sair daqui. E é mesmo isso que vou fazer, daqui para a cozinha.
múm - BBC Radio 1 "The Blue Room DJ Session" (April 2002)
download: Djset (53,1mo) - encoded at 128k
Tracklist:
1- Opiate & Alva Noto : Opto File 1
2- Augustus Pablo : Up Warrika Hill
3- Sigridur Nielsdottir : Elsku Litla Gesubarn
4- Stilluppsteypa : Most of the Holiday Spent in the Bathroom
5- múm : We have a Map of the Piano
6- Sonnyboy and his Pals : France Blues
7- Fennesz :c-street
8- Raymond Scott : Wheels that go
9- múm : There's a Number of Small Things
10- Bonnie Billy and the Marquis De Tren : -2/15
11- Manual : The Distance
12- Jim O'Rourke : and a 1,2,3
13- Músikvatur : Konvoj
14- múm : On the Old Mountain Radio
15- M83 : I'm Happy, she said

convictamente
Não sei se é a proximidade do trabalho que começa já na segunda feira, se é o voltar à vida que tinha antes (das férias) ou se é outra coisa qualquer. Não sei se sinto o frio porque está frio ou porque vou sempre sentir frio mesmo debaixo do sol. Não sei se me custa adormecer à noite porque me deitei tarde ontem, ou se é por não conseguir deixar de pensar. Oiço a música que entra pela janela, o ruido das crianças que estão lá fora e aqui ao lado, oiço o cão a ladrar, os cães que respondem convictamente, o sol (há sempre sol de manhã).
perto
O dia hoje começou tarde, e esta é a tendência dos últimos dias (que não pode continuar). Almoço com a família, aniversário da mãe (parabéns!), tarde a passear pela arrábida, em sitios onde nunca tinha estado, em sitios que se perdem no olhar, na alma e no coração porque me fazem lembrar coisas bonitas de que tenho saudades. Porque respiro fundo e tudo parece bem, e naquele instante até está. Olho o verde e o azul, sinto o vento frio na cara, sinto as pedras debaixo dos pés, sinto o cheiro das plantas, sinto-te ao pé.
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sábado, 3 de janeiro de 2004
Vale dos Barris (durante a tarde de ontem)



fotos por hugo sousa
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2004
entreEMES
Acabei de vir daquilo que aconteceu hoje às dez da noite no fórum luisa todi, música improvisada (entreEMES), e senti-me como que a flutuar em gravidade zero, algures no espaço, algures entre a realidade e o sonho, entre beats, e guitarra, e citações de lynch e kubrik, e fado.


não há nuvens
Ando com tentências metereológicas e por isso apetece-me dizer que o dia de hoje está lindo, apesar do frio, e não se vê uma nuvem no céu. Olho para a janela e vejo o sol entrar por entre os vidros da janela, vejo as sombras que descrevem traços verticais e horizontais, vejo o quadriculado do prédio de frente, azul e branco, vejo o aquário desligado com sombras de peixes, vejo as grades da varanda que me seguram e não me deixam cair (mesmo que eu quisesse).
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2004
dois mil e quatro
E pronto, assim de repente parece que mais um ano passou, só porque ontem foi trinta e um de dezembro. Hoje devia ser tudo diferente, porque deviam estar feitos os balanços de dois mil e três, mas as coisas não mudam assim tanto. Valerá a pena, pensar no que correu mal, ou no que correu bem? Talvez tenha tudo que acontecer segundo as regras do destino, e não valha a pena lamentarmo-nos por isto ou aquilo, ou sequer arrependermo-nos. Ou amar e deixar de amar, e sentir, e ouvir e ter saudades. Talvez só valha a pena olhar para trás e pensar nas coisas boas que aconteceram (mesmo quando são as outras que nos assombram o espírito).
Entretanto hoje o dia está quente, de tarde estavam cerca de dezassete graus, o que é no mínimo peculiar para o primeiro dia do ano. E o mais engraçado nisto tudo é que mesmo assim não me sinto quente, muito pelo contrário. Sinto-me longe de tudo, como que a pairar.
Tentei trocar um dvd que me tinham oferecido no Natal (do Chaplin), mas está tudo fechado (até a FNAC). Talvez vá a Lisboa ou a Almada tratar do assunto amanhã. Espera-me, entretanto, a loiça para lavar, música nova para ouvir (Cat Power e Colder) e aproveitar as últimas horas sem ter muito em que pensar (amanhã vai ser diferente).

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