hoje imaginei-me numa história de amor a preto e branco, onde as pessoas andam de mão dada pelos jardins, e onde as mentiras não existem, porque ninguém sabe o que isso é. imagine-se... as pessoas, nesta história, dizem o que lhes vai na alma e no coração! que coisa louca!!
o meu coração tem batido devagarinho como se me quisesse dizer qualquer coisa. mas eu acho que se ele me quisesse dizer alguma coisa eu não acreditaria. se calhar é por ter ouvido toda a espécie de palavras (ao ouvido ou não) e se calhar é porque deixei de acreditar. deixar de acreditar não é mau, é uma consequência de uma vida em que se vai tropeçando em pessoas, em ilusões e desilusões, e agora é muito díficil acreditar. desculpa lá pá!
há coisas que fazem eco na cabeça e que nos adormecem à noite e embalam, e não são coisas boas, são coisas esquisitas e estranhas, que só merecem ser ignoradas e enterradas bem longe, num sítio esquecido por mim e por toda a gente.
hoje quando entrei dentro do carro estavam cerca de quarenta e oito graus e de repente só me apetecia estar algures com os pés dentro de água azul e transparente numa praia deserta daquelas parecidas mais ou menos com a ideia do paraíso.
sinto-me cansado e estou de férias, cansado de mim e das minhas histórias. queria tanto que fosse tudo mais simples. podia ser jardineiro num jardim algures perdido numa cidade pequenina. podia chegar a casa e sentir-me bem comigo e contigo. vou sentar-me no meu sofá azul e beber sumo de mirtilos, está fresco e pelo menos naquele bocadinho tudo parece bem. e entretanto vejo um filme daqueles antigos e a preto e branco, que estão cada vez menos na moda e que são quase uma mania para quem gosta de cinema.
Afinal a desilusão é mutua. Afinal a mentira está em todo o lado. Afinal é tudo uma fantochada. Afinal há interesses que falam mais alto. Afinal há o desespero, a carência, a obcessão. Afinal há o drama. (E afinal tu também és um bom actor, afinal acreditam em ti!). Afinal a verdade não existe. E tu não queres saber. Afinal pode-se ser feliz, a todo o custo. Afinal... afinal estas semanas aprendi muita coisa. E tu andas em circulos. E eu vou começar a traçar uma linha, em frente. E não, eu não sou o bobo da festa. Be Happy! (agora é a minha vez)
às vezes quando olho para trás, para o que escrevi, parece-me tudo tão fútil, tão vazio, tão insignificante. é como se estivesse a repisar o mesmo assunto vezes sem conta. e pergunto-me se valerá a pena.
sonhei um futuro, um futuro brilhante como o sol; em que te levava a jantar; em que iamos ver filmes esquisitos em cinemas obscuros; em que passeavamos pela praia e onde o por do sol parecia mais bonito que todos os outros, em todas as outras praias, em todos os outros sitios; imaginei-te a sorrir para mim, e imaginei-te a dizer-me palavras ao ouvido, imaginei-te deitado perto de mim, e abraçado (como se o mundo fosse acabar amanhã). imaginei-te de mão dada com a minha mão, imaginei-te feliz. imaginei-te a ir ao fim do mundo. e eu estava lá, perto. imaginei-te e sonhei-te. e perdi-me nas tuas palavras e no teu corpo. e na doçura da tua pessoa, e no arrepio dos meus sentimentos, e na cor dos teus olhos, e na melodia das tuas palavras.
há coisas que me passam pela cabeça, daquelas que nem sequer podem ser escritas. há sensações que me arrepiam como nunca. há pessoas de que não me consigo esquecer, mesmo tentando com muita força. há tristezas que não vão desaparecer, sentimentos, alegrias e sorrisos. há palavras que são ditas, e que são para sempre. há olhares que ecoam dentro do coração. há palavras que desconheço, há coisas que queria dizer mas não sei como. há tanta coisa dentro de mim que às vezes parece que não vou aguentar. como se estivesse prestes a chegar ao limite. às vezes sinto que tudo isto podia ser muito diferente. a vida que levo, a pessoa que sou. e que 'tudo' está tão perto. bastava um sorriso e umas palavras para me mudarem, era tão simples, mas tão complicado. mas mete medo, e eu sei. e esta dependência é estranha, mas alimenta-me e faz-me avançar num mundo estranho, que muitas vezes não compreendo. um mundo cheio de pessoas que valem a pena, mas que estão a uma distância impossível, ou quase. até ao dia em que o impossível se torna possível, e tudo vai mudar. e então voltarão os sorrisos de manhã, os gestos sincronizados contigo e com o coração, as palavras que saiem tão naturalmente que mal precisam ser pensadas, e nessa altura vou dormir bem, não vou ter pesadelos, nem vou ficar triste ou chorar, só porque me lembro de ti. porque nessa altura posso olhar-te e ver-te sem ser preciso fechar os olhos, sem ser preciso sonhar. ontem pus-me a andar pela praia, que estava quase deserta. havia vento, que estava frio. a água, quente. poucas pessoas na praia, e eu caminhava até ao infinito, música a acompanhar-me. fechava os olhos e caminhava em frente. abria-os e via o oceano a perder-se de vista, agitado mas calmo. sentia-se o iodo e as algas no ar. sentia-me bem, e ao mesmo tempo sentia-me em liberdade. sentia-te a andar ao meu lado. no meio da praia deserta, onde só se vê a areia e o mar, no meio de uma ventania imensa e fria, no meio do infinito, entre música e sensações que não acreditava serem tão simples e tão inocentes, mas cheias de energia positiva, cheias de esperança, cheias de ti, de olhares, de sorrisos. no meio da praia tudo isto parece tão simples. mas não é. e então o vento fica mais forte e mais frio. Como se quisesse dizer alguma coisa...
era uma vez um menino que tinha os olhos mais brilhantes do mundo! quando nos olhava, olhos nos olhos, era muito difícil não nascer logo ali um fascínio mágico. qualquer coisa de estranho se passava a seguir. aquela alegria que estava dentro dele passava para quem estava à volta. de repente todos ficavam com os olhos a brilhar, de repente tudo ficava com um sabor a felicidade, de repente o mundo deixava de ser um sítio esquisito. começava precisamente ali, naquele sítio e naquele momento (como se fosse magia), a mudar, a sorrir, a cantar, a dançar, a pular, e depois... depois bastava olhar para o sorriso na cara de toda a gente para perceber que aquele menino era um menino especial, daquelas pessoas como há poucas, que podem mudar o mundo e inquietar corações.
viagem longa. carros. calor. rfm e rádio comercial. e renascença. cento e cinquenta km por hora. um bife à chegada, como recompensa. família. a matilde está tão gira! manhã do dia seguinte. consigo ver o hotel, que é muito giro. e fashion. e moderno. a arquitectura é fantástica. aposto que tu ias gostar. praia. com a bébé. ela tem genica e gosta da água! a água é quente e sabe bem. apanho sol, muito. estou queimadito. vou a pé até à praia. está sol e custa um bocadinho, mas no fim compensa. sandes de atum com alface e oregãos. uma bola de berlim, com creme. jornal e música. à noite brinco com o meu vaio. (i'm a vaio boy, just like you!). tento esquecer-me do mundo mas não consigo. se calhar não quero. as miudas aqui ao lado estão coladas à televisão, onde se vê outra miuda a cantarolar uma qualquer música pimba.
acordei. a noite foi quente, não dormi lá muito bem. coisas estranhas passam-me pela cabeça. afasto-as. coisas bonitas passam-me pela cabeça. agarro-as. com força. não as deixo fugir. lembro-me do mar, ontem. lembro-me de tudo. vivo tudo outra vez, minuto a minuto. penso em palavras bonitas, que soam bem, ao ouvido. penso em cores fortes, que contrastam, oiço uma música na minha cabeça que fala em amor, em beijos, e sorrisos. agora estou calmo, mas não consigo deixar de pensar. deixo-me levar e volto a sonhar e tudo parece real quando fexo os olhos. abro os olhos. tenho palavras a rodopiar à minha volta, palavras ditas ao ouvido, muito baixinho mas eu consigo ouvi-las. esboço um sorriso. não consigo ouvir os pássaros a cantar, e costumo conseguir. há vento lá fora, vejo pela janela do sítio onde estou. sinto. arrepio-me. espero. falham-me as palavras que preciso dizer. que já disse. falha-me a alma, mas não o coração. sinto-me completo, mas nem sempre. sinto-me. sinto-te.
Hoje quando acordei fiz café e fui para a varanda, estava fresquinho, e só se ouvia o barulho melodioso das obras do prédio ao lado, que está a ser construido. Neste cenário aparece entretanto uma senhora, de meia idade, à porta da sua casa, que fica mesmo em frente à minha, e começa a tirar as ervas que cresciam mesmo à porta, ao mesmo tempo que cantava "e se elas querem muito amor muito carinho nós pimba, nós pimba", fazendo a voz tremer na parte do "pimba". Esbocei um sorriso. Há coisas bonitas.
quero uma espreguiçadeira (azul ou vermelha) para aproveitar as noites de agosto, na minha varanda. à noite não se ouve nenhum baraulho, não há carros nem nada parecido. de vez em quando um cão ladra. e sente-se o fresquinho que vem do pinhal.